Era 2004, quando o núcleo comunista eu e Senhor Miyagi; fazíamos conhecimento de campo para articular uma chapa e disputar a direção do Sintserp na eleição de 2005. Sindicato, este dirigido por militante de um partido de esquerda (social democrata).
Na praça paz de Deus, que ainda não tinha esse nome, encontramos um senhor baixinho, de bigode, branco e queimado pelo Sol, vermelho que nem camarão...
Ele dizia que era filiado ao sindicato, tinha sido trabalhador e morava muito tempo em Parnamirim.
Acreditava na luta sindical porque foi os sindicatos que garantiram a carteira de trabalho e outros direitos que ele tinha visto ser materializado na vida dele, na vida de trabalho dele.
Em nossa conversa, lembrou de Francisco Julião, Zé da Galileia e Gregório Bezerra.
Com esses laços de lembranças e afinidades, Seu Geraldo, conhecido por todos na prefeitura de Parnamirim. Foi um dos primeiros a apoiar a nossa chapa, já que não se sentia representado pela imobilidade. Dizia ele "um sindicato que não promove nem diversão do trabalhador?".
Após a eleição, seu Geraldo viu o sindicato se transformar, ter sede própria, luta pelo vale transporte, "professores se rebelando" (fala dele), área de lazer...
Se aposentou vendo transformações da instituição que ele nunca deixou de ser filiado, mesmo em vacas magras, acreditou que o Sintserp ia melhorar e viu isso se materializar, frequentando todas as lutas e festas, com orgulho e sua família ao lado, celebrando sonhos concretizados.
Elegemos ele como presidente de honra do sindicato como um critério, enorme do ser humano. Ser perseverante, acreditando que um dia o coletivo mudaria a instituição que o representava.
Aqui não celebramos a morte de Seu Geraldo, celebramos a primavera, em quem acreditava na transformação e em pessoas de atitude; obrigado Seu Geraldo, você nos ensinou...
Celino Bezerra
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