quarta-feira, 21 de junho de 2023

Relator tira Fundeb e despesa com ciência da regra fiscal; veja o que mudou


O relatório de Omar Aziz (PSD/AM) apresentado nesta terça-feira (20) na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado trouxe poucas surpresas em relação ao que o senador vinha anunciando. Além das já esperadas retiradas do Fundeb (Fundo da Educação Básica) e do FCDF (Fundo Constitucional do DF) da regra, o relator retirou todas as despesas com Ciência e Tecnologia da nova regra de gastos. Isso significa que essas despesas não ficam sujeitas aos gatilhos acionados em caso de descumprimento das metas de resultado primário do governo.

Em resumo, o texto propõe como alterações em relação ao que foi aprovado pela Câmara:

Fundeb fora da regra

FCDF fora da regra

Todas as despesas com Ciência e Tecnologia (C&T) fora da regra

Criação do Comitê de Modernização Fiscal para acompanhamento da gestão fiscal, sem caráter deliberativo, composto por um representante de cada um dos órgãos: Fazenda, Planejamento e Orçamento, Câmara dos Deputados, Senado Federal e TCU (alteração sugerida pelo presidente do TCU, Bruno Dantas)

Permissão para que o governo use venda de estatais como receita, algo que não foi pedido pelo governo, mas dá mais liberdade para a União (emenda do senador Oriovisto Guimarães, do Podemos/PR)

A votação do relatório de Aziz foi adiada para esta quarta-feira (21) às 8h30 após um pedido de vista da oposição ao governo. O pedido de mais tempo para analisar as mudanças foi motivado por posicionamento político, e não deve comprometer a aprovação do texto amanhã, que seguirá direto para a pauta do plenário, onde também tem cenário favorável para aprovação.

Na Câmara, já há acordo para deixar a votação do marco para a primeira semana de julho, após, portanto, as festas juninas. O presidente Lula está fora do País, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad viaja nesta quarta, o presidente Arthur Lira tem viagem marcada para esta quinta e deputados e senadores do nordeste embarcam para as festas juninas.

Quanto ao mérito, a retirada do Fundeb tem menos apoio de deputados do que dos senadores. A Câmara avança em um acordo, ainda não fechado, para manter o FCDF fora da regra, referendando a proposta do Senado.

A emenda da C&T não foi um pedido do governo, partiu dos senadores, e o governo não deve articular a favor da manutenção da alteração na Câmara. Ou seja, ainda não está certo que a Câmara acatará as mudanças propostas pelos senadores, mas as alterações não irão comprometer a aprovação da regra ainda no primeiro semestre, como era o desejo do governo.

A emenda acatada pelo relator sobre a Ciência e Tecnologia amplia a excepcionalização dessas despesas para além do que estava no texto aprovado pela Câmara, que retirava da regra apenas as despesas com C&T das instituições federais de educação, ciência e tecnologia vinculadas ao Ministério da Educação e das demais instituições científicas, tecnológicas e de inovação.

O novo texto propõe retirar da regra todas as despesas com ciência, tecnologia e inovação. A emenda é de autoria do senador Renan Calheiros (MDB/AL). Durante a defesa do relatório na CAE, Aziz citou a paralisação de produção de vacinas por falta de recursos e um centro de pesquisa na Amazônia que será inaugurado para justificar a retirada de todas as despesas com C&T do teto.


Fonte: Uol

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